segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Rage against the machine


É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve.

Victor Hugo




Nunca gostei de touradas. Nunca consegui perceber a exultação de ferir um animal para gáudio de milhares que urram à vista do sangue a jorrar de muitas bandarilhas e olés . Sol e sombra, dia e noite, inteligente ou estúpido, é primitivo, selvagem e indigno.


Um animal assustado e ferido de morte, avança às cegas e leva consigo, imparável , tudo o que se interpuser no caminho desvairado que inevitavelmente o arrastará até onde o fim do sofrimento e o seu próprio fim serão um só.

A raça dominante, já pouco domina. 
Como um animal ferido, a Natureza reage em desespero e arrasa, queima, afoga , esmaga, extermina...
É verdade que sempre existiram chuvas torrenciais, avalanches, fogos, inundações, aluimentos de terras, furacões, ciclones, terramotos, tsunamis... não tenho ideia de tanto desastre natural junto em tão pouco tempo.

Os homens verborreiam, atacam-se, discutem... política, terror, guerra. Até matam e morrem por preferências clubisticas que seguramente levantarão enormes questões existenciais...

Nada disto importa realmente se não tivermos verdadeiramente algo precioso sobre o que discutir, decidir e agir , e que é o pedaço de chão que a Natureza nos emprestou para usarmos na nossa passagem por cá, e que seguramente cada um de nós gostaria que a posteridade pudesse usufruir daquela mancheia de terra , de todos os pedaços , onde deixámos impressa a nossa pegada.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Sou e não sou , serei... Quem sabe ? Eu sei que não sei...



Se sabemos viver, sabemos tudo.

Textos Judaicos
















Quem somos, donde viemos, para onde vamos...

As célebres dúvidas existenciais para as quais ninguém tem resposta certa.

Ninguém ? Ninguém não! Eu pelo menos durante dois meses por anos sei EXACTAMENTE de onde vim e para onde vou.

Vim do trabalho e vou para casa. Vim da casa e vou para o trabalho.

Pode parecer monocórdico, monótono, enfadonho até, mas desengane-se quem pensa que algo tão simples não possa promover fúrias, complicações, desatinos, peripécias mil e até gargalhadas sem fim.

E é aqui que chegamos à parte do quem somos.
Pois na realidade , dias há que não sei, ou  só sei que nada sei, ou sei muito mais do que julgo e muito menos do que imagino, ou só sei o que já não me surpreende, ou sei o que sou e ignoro em que posso tornar-me, ou se não sei aprendo e se já sei ensino, ou como nada sei, não duvido de nada, ou lanço o saber e não terei tristeza, ou sei coisas inúteis que é muito melhor do que não saber nada, ou sei o que todos sabem, que é o mesmo que nada saber, ou muito sei porque bem conheço a minha ignorância, ou sou sábia porque sei que ignoro tudo ( o que por vezes dá um jeitaço...), mas no fundo reconheço que a condição humana do saber é o silencio ...


Sei lá eu...

De uma coisa não sei, mas tenho a  certeza, é que todos os dias durante estes dois meses,  me sinto dentro de uma fita de pelicula gasta e sem cor definida, em que os mocinhos e os bandidos trocam constantemente entre si de personagem e de falas, mas o filme é mudo e eu felizmente não os oiço, talvez porque já não os posso ouvir e preze o silencio como se fosse volfrâmio. Não sou a garota histérica amarrada aos carris do comboio, sou o comboio que percorre todas as estações , espera não atropelar ninguém e no final da corrida, a soprar negro de fumo, anseia por caras alegres e sorrisos cansados mas genuínos, e o balsamo do  som sem ruido que consegui deixar fechado lá atrás, para além do portão azul.

Estão 30 graus  lá fora, a dona sol ofusca a primeira estrela e o chá fervente anima e reconforta. O ronronar também. Até o ressonar me arranca um sorriso de reconhecimento e paz. É tão bom não ter nada para dizer.


É apenas para viver.







sábado, 12 de agosto de 2017

Acender Fósforos


"Jogo fogoso, jogo perigoso"


Provérbio









Liguei o modo mecânico .

Deito-me tarde, durmo mal, acordo tarde depois de noites transbordantes de sonhos em demasia, muita gente , muita confusão, sempre casas, muito mar e fósforos.

O modo mecânico não é novidade. É uma habilidade que uso para passar o meu tempo de morcego sem danos pessoais ou colaterais. Só ligo ao que é importante, o resto fica em arquivo de memória para analisar quando estou sozinha e posso verificar objectivamente e atribuir a relevância que merece.

Os fósforos são aquisição onírica recente. Não sou nada destas coisas de signos ( apesar de ser Leão e de gostar dos predicados que atribuem aos leoninos) nem sequer de interpretações de sonhos. Atribuí o aparecimento dos fósforos nas minhas fases de REM, aos fogos que  lavram tristemente um pouco por todo o país,  cuja intensidade só é equiparada à da inundação  massiva de notícias sobre as frentes activas, playground de qualquer pirómano lascivo,  e o que os infelizes populares e bombeiros passam para os controlar até à extinção total  e   sem os apoios milionários que, como quase tudo em que se investe para o bem do País e das populações, funcionam pouco, funcionam mal ou não funcionam de todo. 

Mesmo assim, não resisti à curiosidade mística de procurar saber o significa sonhar com fósforos. Tudo bom. Amigos , vitórias, sei lá. Prender-se-á com a conquista do fogo ? É possível.
Tudo fantástico até  o  fósforo nos queimar ( no sonho, pois claro) ; aí são só desgraças, aflições e angustias.

Terá a ver com os dois loucos que andam a brincar com o fogo ?   É muito possível até.
É coisa que me trás frequentemente em sobressalto. Não quero acreditar que pessoas esclarecidas não saibam que o Game of Thrones é apenas ficção e que não se lançam dragões  nucleares contra pessoas, só porque sim, porque quem quer, pode e manda.
Isto é coisa de meninos mimados com birrinhas , o problema é não saber quem tem a caixa maior,  com mais fósforos e quem acende primeiro.