quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A contar vindo do Ceu


 X will always mark the spot in our hearts






E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

Bem hajas. Fica em paz

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Google Dixit



Another night, another day goes by
I never stop myself to wonder why
You force me to forget to play my role
You take my self, you take my self control






As pessoas são chatas e convencidas. Nasceram assim ou fizeram-se deste modo, nesta sociedade do audiovisual e das redes sociais ?
Em mais uma das minhas fazes anuais de morcego, descobri um novo tipo de animal humano, que prima pela omnisciência que adquire tipo mousse Alsa: basta juntar água.

Refiro-me ao Homogooglens, o tudólogo do Google.
O nível de conhecimento que o Google confere a estas pessoas, que proliferam como mosquitos ao redor da luz que emana da partícula de Deus que carregam permanentemente consigo como se do fogo primordial se tratasse , é excepcional, elevadíssimo e sempre correcto. 

Como pode um comum mortal de preovecta idade competir com um homogooglens de brilhante telefone na mão, a debitar impropérios acerca da incompetência das pessoas que não cumprem o que está escarrapachado no Google com todas as letras, mapas e imagens ?

Isto merece uma crítica negativa no Facebook ou no Tweeter.

Tal inépcia mimoseia-nos com entrada directa para a candidatura a desqualificado de primeiro grau, pela incapacidade de ler e fazer cumprir o que diz o Google ali, logo na primeira página , após uma pesquisa que devolve mais de cinco mil entradas.

Tentar explicar ao homogooglens que em Montain View os Senhores não gerem as páginas particulares de cada um, limitam-se a ser um motor de busca no geral, por sinal bastante competente, mas cujas actualizações deixam bastante a desejar, não é tarefa fácil, é tarefa impossível. É que está ali, ALI, na sua mão vê? Vejo, mas está errado. Provecta, estúpida e iletrada, que nem ler sabe...

Imprimo um printscreen da página oficial e mostro-o ao homogooglens... papel e tinta para deitar para o lixo, claro... isso é de onde? Não está no Google! Está, se procurar e não se ficar pela fachada...
Já experimentou googlar o seu nome ? Então faça-o e veja quantos são e qual deles é o Senhor.


Deixo-os no vício, entretidos a descobrir-se na internet e ao êxtase que lhes proporciona o imenso saber que lhes oferece. 
Está quase na hora de sair para o escuro e tentar encontrar no silêncio da noite a absolvição para os meus pecados, que devem ser muitos e copiosos, porque ninguém  merece  tão insensata expiação.


                        Oh, the night is my world







segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dura Lex... parte 2


Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.


Sócrates ( não , não era Engenheiro...)





Com tanta ladroagem , tanto burlão, tanto assassino, tanto criminoso em geral a aguardar julgamento por delitos cuja gravidade ultrapassa tantas vezes a imaginação, o João foi hoje presente ao juízo de instrução, praticamente 24 horas após a perpetração do seu "crime" de lesa agente da PSP em pensamentos e algumas palavras, que se traduziram no bico de obra de que aqui falei, na anterior publicação. 

Foi ouvido e condenado a DOIS ANOS de pena suspensa, e apenas por falta de antecedentes que imputassem qualquer risco ao seu comportamento de homem e cidadão português, durante quase 40 anos.
Foi a sentença também acrescida de uma sanção pecuniária de 250,00€ .

O João resignou-se. Quer esquecer que tudo isto aconteceu e voltar à normalidade e pacatez da sua vida profissional e familiar. Quer voltar a sair para pescar e abstrair-se do mundo.

Pena que a justiça nos tempos de hoje não seja apenas cega, mas surda, parcial e prolixa.
 E dura lex, sed lex,  deveria ser igual para todos, mas aqui é que a porca torce o rabo, porque "todos" não são iguais perante a lei.
Como dizia Orwell e muito bem, uns são muito mais iguais do que os outros, basta serem conhecidos, poderem cobrar favores e terem um pé de meia offshore.










domingo, 19 de novembro de 2017

Polícia, para que te quero

O homem que não sabe controlar-se a si mesmo torna-se absurdo quando quer controlar os outros.



Textos Judaicos










O abuso de autoridade das forças policiais é uma aberração que devia ter legislação e punição disciplinar adequada.
Abusar da autoridade não significa apenas andar por aí aos tiros e causar vítimas inocentes ou não, seguramente danos colaterais da falta de formação e preparação adequadas, com que os nossos agentes são despejados para as ruas, para manter a paz e fazer  cumprir a lei.  

Senão vejamos o que se passou hoje.

O João saiu de casa cedo para ir trabalhar. Saiu com a família toda. Iam bem dispostos , tomaram café no Sr. Macário, conversaram com os vizinhos e rumaram ao carro.
Meteram-se a caminho e a primeira paragem foi o Centro Comercial para deixar a esposa e as crianças a ver as montras e as iluminações de Natal.

Seguiu para o trabalho, sem pressa, tinha tempo, aliás ia com tempo porque sabia da dificuldade de estacionar em Belém num Domingo com Render da Guarda.

Chegou com tempo ao seu destino, como costuma dizer a voz falsa do GPS. Não havia lugares livres para estacionar, naturalmente... Mirou um TucTuc a aguardar passageiro, olhou para o relógio e deixou-se ficar a aguardar que saísse.

Havia mais polícia na rua, como normalmente acontece nos dias do Render da Guarda.
Um agente garboso, novinho, tão novinho que até parecia verde, estava em amena cavaqueira com a simpática e esguia condutora/guia, sentada no banco do motorista do TucTuc, que entretanto foi tomado por meia dúzia de turistas e partiu alegremente à descoberta de Lisboa.

O João que esperara pacientemente o lugar, estacionou.

É então que o mesmo agente verdinho e garboso, que animadamente conversara com a condutora do TucTuc informa o João que não pode estacionar ali.
"Mas Sr. Agente, estava aqui um TucTuc, que é uma viatura sujeita às mesmas regras de estacionamento que os outros veículos, e o Sr. Agente não só deixou estar, como entabulou animada conversa com a condutora." "Circule, já disse!" Mas é porque sou homem que não posso estacionar, ou quê ?" Disse o João aborrecido e arrancando com o carro. Nem 3 metros, outro agente manda-o parar ,  sair do carro e identificar-se, chega o colega, mais um empurrão, e é então que o João fez o que ninguém deveria fazer... empurrou de volta.

Seguraram-no virado para o carro, para o tentar algemar. O João ofereceu resistência, aquilo era um bocado ridículo... então e por isso mesmo, entrou em cena o Corpo de Intervenção, foi-lhe dada voz de prisão. Detido, roto de calças , camisa e casaco,  foi enfiado vigorosamente numa carrinha blindada e enviado para a Esquadra  do Lumiar. 
Tudo isto aconteceu bem em frente ao seu local de trabalho...

Se não fosse triste demais, daria seguramente para rir à gargalhada.

Pergunto-me e deixo no ar este pensamento:

Que Polícia é esta que nós temos que para autuar um incumprimento de transito, tem que  o CI intervir e prender uma pessoa que ia pacificamente trabalhar, tratando-a do mesmo modo como trataria  um ladrão ou um terrorista  ?

Que o João merecia uma multa, sem dúvida, agora CI e voz de prisão e aquele aparato todo ?!?

E isto sai-nos bem caro, a todos, todos os dias...



















sábado, 4 de novembro de 2017

Malfeitores e aproveitadores - Kayser Söze

“Mais do que o dinheiro, o mundo é movido pelas trocas de favor.” 


HARUKI MURAKAM







Há novelos que em começando a desenrolar uma ponta os fios da meada espalham-se por todo o lado e de tal modo, que chega a um ponto em que deixa de haver ponta por onde se lhes pegar. 
Aqui a solução é agarrar no baraço e colocar tudo no mesmo saco.

Não me interpretem mal. Como toda a gente com valores definidos e com alguma experiência de facto, acredito que todo o assédio sexual é tóxico, lesivo e perigoso, e deve ser punido como o acto de violação que representa.

Queria apenas falar-vos do actor que deu corpo ao meu vilão favorito de todos os tempos,o ubíquo, misterioso e indeterminado  Kayser Söze, brilhantemente interpretado na tela por Kevin Spacey, um dos homens do momento.


Quem viu atentamente o filme de 1997 " Meia noite no jardim do bem e do mal" realizado por Clint Eastwood, não pode ter ficado indiferente à "roupagem" cénica de Spacey, uma pele sobre a pele, de tal modo que a certo ponto ninguém consegue dissociar o actor da personagem. 
Eu, que não sou psicóloga nem vidente, nem tenho um QI astronómico, com aquela interpretação soube. 

Por isso sempre pensei que o Óscar em 1999 por "American Beauty" foi mais que merecido, apesar da ambiência do argumento tender a  deixar o actor um tanto confortável.

O facto de que um homem com mais de 40 anos que vai a todas as cerimónias dos Óscars ano após ano acompanhado pela mãe, ajuda a fortalecer a tese.

OK. O Kevin Spacey é homossexual. Que novidade!!
Não quis revelar-se até há alguns dias atrás. E dai? Escolha dele.
Assediou sexualmente homens durante 30 anos...
Pois , é capaz de o ter feito a alguns, ele próprio o confessou.

Agora que abriu a Caça às Bruxas, com o Weinstein, não vai parar por aqui. Ontem o Kevin, amanhã quem sabe ?


 Até há pouco tempo Frank Underwood era o presidente de todos os estados, agora em estado de desgraça, foi despedido.
Não estarão a impor o  impeachment ao presidente errado ?

Quem (dentro dessa corja que são os social climbers)  nunca tenha em Hollywood, lucrado com benefícios e proveitos obtidos consensualmente na horizontal,  que atire a primeira pedra.

Calculo a quantidade de carreiras que não se alicerçaram em favores que agora são escarros de ódio  em cheio na cara de quem os ajudou.


Dizem os antigos que uma mão lava a outra e ambas lavam... as costas - grande verdade, porque hoje nas costas de tanta gente, conseguimos um vislumbre das nossas próprias.





  

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Finado. Finito. Fine

As pessoas temem mais a morte do que a dor. É estranho que tenham medo da morte. No ponto da morte, a dor acaba.

                                          Jim Morrison






Perdeu -se a tradição de honrar os mortos. Outra coisa não seria de esperar de uma sociedade que não honra os vivos.

Morrer é omqué afinal? Uma passagem para a outra margem ou um simples apagar de luz?

A verdade é que a morte  é o preço que temos que pagar pelos dias que vivemos.

Nunca me disse nada,o dia de finados. Mesmo quando íamos em romaria familiar depositar braçadas de crisântemos. 



Aos  nossos vivos devemos todos os desvelos , respeito e consideração. Aos nossos mortos devemos a vida e muitas das lembranças alegres e felizes que estão ficamente guardadas na memória do  nosso disco rígido.

Pode ter sido um adeus, ou um até já.

Aguardemos pois

https://youtu.be/tY7Lcu8RdaA

sábado, 21 de outubro de 2017

Nunca mais













indignação não morreu ali, nem morrerá enquanto nada for feito para que Nunca Mais. 

É fácil ser comentador de sofá. Se todos fizermos nada mais do que vociferar contra tudo e todos no conforto das nossas pantufas , de muito nos há-de valer toda a indignação. 
Hoje não fomos muitos, mas fomos lá. 
Amanhã se preciso for, seremos muitos mais e estaremos lá outra vez. Em silêncio. Deixando que as vozes dos que se foram falem maus alto. 

Para que Nunca Mais


https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1602661976444339&id=100001016574827


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Haloweentown


"Boys and girls of every age

Wouldn't you like to see something strange

Come with us and you will see,

This our town of Halloween"







Anunciava o letreiro ardente à entrada do recreio do terror.
Nunca tinha visto tanta gente .
Filas imensas de rostos expectantes aguardavam, vestidos com o rigor que se impunha ao local. Assistentes disformes entregavam óculos de VR, indicando que ficariam activos assim que o circuito se aproximasse da zona principal, "Ashes to Ashes and only dust" onde poderiam reviver o período negro mais intenso, o daqueles três meses em que os saídos do lixo caíram no pó da amálgama carbonizada de terras e gentes, pulverizada no flagelo criminoso do fogo perene, que transformou uma poética mancha verde nesta hollywoodesca  Halloweentown.

Chegados à primeira atracção, os bustos fantasmagóricos de assustados  Lapierre e Collins convidam a entrar em "O País já está a arder"? e com uma risada arrepiante, o audioguide ganha vida e começa a narrar os acontecimentos daqueles três meses em que a tinta correu a rodos como se  sangue fosse e pedisse, implorasse que não se calassem as vozes  e se procurassem explicações, negligências, culpas, culpados ...
"Liar, Liar" faíscava um eucalipto enquanto se reacendia em chamas uma e outra vez.

O ar era irrespirável, asfixiante. O calor era insuportável, patrocinado pelas novas tecnologias da GALP. Era quase real, quase...
Saí. Tive que sair. O asco venceu a curiosidade. Não fui a única. Centenas mais, não suportaram reviver o macabro, o horror, o terror, a inépcia, a inutilidade, a inacção.
A realidade deve ter superado mil ficções de exploradores de holocaustos. 

Cheguei a casa e debaixo de uma água escaldante, tentei em vão arrancar de mim aquela camada de abandono que se me incrustara  na pele desde o dia em que deixei de querer saber... old news..

Liguei a TV fiz zapping até achar o que realmente interessava: a discussão parlamentar sobre a lei que permite levar os Lulus às compras e a jantar fora. Isso sim,  é de valor.

Neste momento em que escrevo estamos a aproximar-nos a passos largos da centena de contribuidores para a pira fúnebre, the one and only fiery Brand of Halloweentown.





segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Rage against the machine


É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve.

Victor Hugo




Nunca gostei de touradas. Nunca consegui perceber a exultação de ferir um animal para gáudio de milhares que urram à vista do sangue a jorrar de muitas bandarilhas e olés . Sol e sombra, dia e noite, inteligente ou estúpido, é primitivo, selvagem e indigno.


Um animal assustado e ferido de morte, avança às cegas e leva consigo, imparável , tudo o que se interpuser no caminho desvairado que inevitavelmente o arrastará até onde o fim do sofrimento e o seu próprio fim serão um só.

A raça dominante, já pouco domina. 
Como um animal ferido, a Natureza reage em desespero e arrasa, queima, afoga , esmaga, extermina...
É verdade que sempre existiram chuvas torrenciais, avalanches, fogos, inundações, aluimentos de terras, furacões, ciclones, terramotos, tsunamis... não tenho ideia de tanto desastre natural junto em tão pouco tempo.

Os homens verborreiam, atacam-se, discutem... política, terror, guerra. Até matam e morrem por preferências clubisticas que seguramente levantarão enormes questões existenciais...

Nada disto importa realmente se não tivermos verdadeiramente algo precioso sobre o que discutir, decidir e agir , e que é o pedaço de chão que a Natureza nos emprestou para usarmos na nossa passagem por cá, e que seguramente cada um de nós gostaria que a posteridade pudesse usufruir daquela mancheia de terra , de todos os pedaços , onde deixámos impressa a nossa pegada.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Sou e não sou , serei... Quem sabe ? Eu sei que não sei...



Se sabemos viver, sabemos tudo.

Textos Judaicos
















Quem somos, donde viemos, para onde vamos...

As célebres dúvidas existenciais para as quais ninguém tem resposta certa.

Ninguém ? Ninguém não! Eu pelo menos durante dois meses por anos sei EXACTAMENTE de onde vim e para onde vou.

Vim do trabalho e vou para casa. Vim da casa e vou para o trabalho.

Pode parecer monocórdico, monótono, enfadonho até, mas desengane-se quem pensa que algo tão simples não possa promover fúrias, complicações, desatinos, peripécias mil e até gargalhadas sem fim.

E é aqui que chegamos à parte do quem somos.
Pois na realidade , dias há que não sei, ou  só sei que nada sei, ou sei muito mais do que julgo e muito menos do que imagino, ou só sei o que já não me surpreende, ou sei o que sou e ignoro em que posso tornar-me, ou se não sei aprendo e se já sei ensino, ou como nada sei, não duvido de nada, ou lanço o saber e não terei tristeza, ou sei coisas inúteis que é muito melhor do que não saber nada, ou sei o que todos sabem, que é o mesmo que nada saber, ou muito sei porque bem conheço a minha ignorância, ou sou sábia porque sei que ignoro tudo ( o que por vezes dá um jeitaço...), mas no fundo reconheço que a condição humana do saber é o silencio ...


Sei lá eu...

De uma coisa não sei, mas tenho a  certeza, é que todos os dias durante estes dois meses,  me sinto dentro de uma fita de pelicula gasta e sem cor definida, em que os mocinhos e os bandidos trocam constantemente entre si de personagem e de falas, mas o filme é mudo e eu felizmente não os oiço, talvez porque já não os posso ouvir e preze o silencio como se fosse volfrâmio. Não sou a garota histérica amarrada aos carris do comboio, sou o comboio que percorre todas as estações , espera não atropelar ninguém e no final da corrida, a soprar negro de fumo, anseia por caras alegres e sorrisos cansados mas genuínos, e o balsamo do  som sem ruido que consegui deixar fechado lá atrás, para além do portão azul.

Estão 30 graus  lá fora, a dona sol ofusca a primeira estrela e o chá fervente anima e reconforta. O ronronar também. Até o ressonar me arranca um sorriso de reconhecimento e paz. É tão bom não ter nada para dizer.


É apenas para viver.







sábado, 12 de agosto de 2017

Acender Fósforos


"Jogo fogoso, jogo perigoso"


Provérbio









Liguei o modo mecânico .

Deito-me tarde, durmo mal, acordo tarde depois de noites transbordantes de sonhos em demasia, muita gente , muita confusão, sempre casas, muito mar e fósforos.

O modo mecânico não é novidade. É uma habilidade que uso para passar o meu tempo de morcego sem danos pessoais ou colaterais. Só ligo ao que é importante, o resto fica em arquivo de memória para analisar quando estou sozinha e posso verificar objectivamente e atribuir a relevância que merece.

Os fósforos são aquisição onírica recente. Não sou nada destas coisas de signos ( apesar de ser Leão e de gostar dos predicados que atribuem aos leoninos) nem sequer de interpretações de sonhos. Atribuí o aparecimento dos fósforos nas minhas fases de REM, aos fogos que  lavram tristemente um pouco por todo o país,  cuja intensidade só é equiparada à da inundação  massiva de notícias sobre as frentes activas, playground de qualquer pirómano lascivo,  e o que os infelizes populares e bombeiros passam para os controlar até à extinção total  e   sem os apoios milionários que, como quase tudo em que se investe para o bem do País e das populações, funcionam pouco, funcionam mal ou não funcionam de todo. 

Mesmo assim, não resisti à curiosidade mística de procurar saber o significa sonhar com fósforos. Tudo bom. Amigos , vitórias, sei lá. Prender-se-á com a conquista do fogo ? É possível.
Tudo fantástico até  o  fósforo nos queimar ( no sonho, pois claro) ; aí são só desgraças, aflições e angustias.

Terá a ver com os dois loucos que andam a brincar com o fogo ?   É muito possível até.
É coisa que me trás frequentemente em sobressalto. Não quero acreditar que pessoas esclarecidas não saibam que o Game of Thrones é apenas ficção e que não se lançam dragões  nucleares contra pessoas, só porque sim, porque quem quer, pode e manda.
Isto é coisa de meninos mimados com birrinhas , o problema é não saber quem tem a caixa maior,  com mais fósforos e quem acende primeiro.









terça-feira, 1 de agosto de 2017

Subliminar ... ou então não...

Não sei porquê, mas estou em crer que a minha filha entrou em fase de preparação para o futuro... o Nosso futuro... o meu ,  o dela e o da minha neta.

A pensar nas Férias do ano que vem ?

Assim a modos que a brincar... enviou-me um artigo que o jornalista Paulo Farinha publicou no Magazine Digital. e que eu passo a reproduzir na integra, porque achei que o recado ficou entregue.

Então foi assim que entendi






"Recados para uma avó que vai ficar com os netos alguns dias em Agosto :


A AliCee não come arroz. Diz que fica enjoada. Ainda não percebemos bem de onde vem isso, pensámos que fosse do glúten, mas ela só come arroz sem glúten. Aliás, ela não come glúten. A nutricionista naturopata recomendou. Também não come ovos de aviário.



• Deixei um saco com comida para os miúdos. Arroz sem glúten, massa sem glúten, bolachas sem açúcar, alfarroba desidratada e biscoitos de aveia e quinoa dos Andes.
• Não lhes dê bolos de pastelaria. Nem sumos de pacote. Nem leite de vaca. Nem chocolates. Nem leite com chocolate.
• Eles não comem nada que tenha açúcar refinado. Eu sei que a mãe faz um bolo de cenoura ótimo, mas se fizer use apenas açúcar amarelo. Mas só metade da dose. E cenoura biológica.
• Deixei também açúcar amarelo. É especial, extraído de cana-de-açúcar explorada de forma sustentável.
• Se eles insistirem muito para comer doces, dê-lhes uma peça de fruta biológica. Ou um abraço.
• A Alice pode brincar com o iPad dela antes de ir para a cama. Mas não nos últimos 34 minutos antes de apagar a luz. É o que dizem os estudos mais recentes.
• Se ela ensaiar uma fita por causa disso, não o contrarie de mais. Não lhe tire o iPad das mãos à força. Dialogue com ela. Convença-a. Queremos que os miúdos tenham capacidade de argumentação e não queremos contrariá-los de mais, para não serem castrados na construção da sua personalidade. No fim, dê-lhe um abraço.
• O iPad é a única coisa eletrónica que a Alice tem. O psicólogo dela dizia que não devia haver tecnologia nenhuma até aos 12 anos. Mudámos de psicólogo e o outro diz que pode haver, desde que tenha jogos que estimulem a parte do cérebro onde se constroem as emoções. Como ficámos baralhados, arranjámos um terceiro psicólogo, que disse para fazermos o que quisermos.
• Ela tem uma série de brinquedos de madeira e metal, feitos por artesãos velhinhos. Às vezes queixa-se que as rodas de lata não andam. Se for o caso, ajude-a a brincar com outra coisa qualquer, desde que não tenha plástico. Não queremos brinquedos de plástico.
• Se forem à feira e ela quiserem comprar bugigangas nos vendedores, compre-lhes uma rifa. Ou uma maçã. Ou dê-lhe um abraço.
• Todos os brinquedos devem ser partilhados. Não há brinquedo de menina e brinquedo de menino. Se o João quiser brincar com as bonecas de linho biológico da amiga, não há problema.
• Se ele quiser vestir as saias dela, também não há problema. Não queremos limitar a identidade de género dos nossos filhos.
• Há um saco com sabonete natural e champô à base de plantas medicinais sem aditivos químicos. Cheira um pouco mal, mas é ótimo para o cabelo.
• Mandei também umas toalhas de algodão biológico. Use só essas quando forem para a praia. São as melhores para o pH da pele deles.
• Todas as noites eles devem ouvir um pouco de música. Não pode ser o Despacito. O ideal é ser aquele CD de monges tibetanos. Aqueles sons são bons para o cérebro e para a digestão.
• Se eles quiserem subir às árvores, podem subir. Mas devem dar um abraço ao tronco antes disso. De preferência, devem agradecer à árvore antes de subirem para cima dela.
• Eles precisam de três abraços por dia. Pelo menos. Por favor não esqueça isso. E se puder, dê-lhes abraços de pele a tocar na pele. A energia positiva assim passa de forma mais eficaz.

PS 1: Mãe, não se enerve depois de ler isto tudo.
PS2: Cole este papel na porta do frigorífico, para não se esquecer de nada. Mas não use fita-cola, que isso tem plástico"

Para bom entendedor, bastou uma publicação fantástica  :)


domingo, 9 de julho de 2017

Vencida da Vida ?


"Nada é mais fácil do que se iludir, pois todo o homem acredita que aquilo que deseja seja também verdadeiro"

Demóstenes






 


Muitos posts atrás quando iniciei os Ditos e Escritos e para me situar no espaço e no tempo,  escrevi sobre acontecimentos da minha vida passada. Nunca escondi que o PREC foi a pior altura da minha existência, ultrapassada com alguma adaptação às dificuldades do momento em que se vivia e com a filiação no Partido Socialista, corrompendo de algum modo os ideais pela continuidade. Vivi o partido por dentro, por isso sei. Quando falo,falo do que sei porque experienciei. Não falo apenas porque li ,  ouvi falar ou consta em manifestos.

Assim que a abertura proveniente de nova mudança se proporcionou, pude regressar a mim  e assumir o PPD de Sá Carneiro sem medo de repercussões. Pode ter nascido um mito. Nunca saberei se era ali que estava realmente Portugal. Toda a minha fé partidária se esfumou num triste 4 de Dezembro em Camarate.


A partir daí, tudo perde por comparação e a  ideia recorrente sobre a política no nosso país no pós 25 de Abril,  é que  todas as  eleições legislativas obedecem ao conhecido axioma de que  só mudam  as moscas.


Foi para mim e alguns milhões de Portugueses extremamente gratificante a prisão de José Sócrates no âmbito da Operação Marquês. Deu-nos uma pequena experiencia em democracia na sua verdadeira acepção. Se um Ex-Primeiro Ministro pôde ser detido por corrupção e tráfico de influencias com vista à obtenção de proveitos, ninguém iria ficar impune neste país, fosse qual fosse o crime que cometesse, porque afinal as instituições democráticas funcionam bem e recomendam-se.

Nada mais ilusório.

O prisioneiro 44 de Évora esteve a expensas do estado, escreveu livros, deu entrevistas e continua por aí, a carpir o martírio e as injustiças e a pedir a beatificação.

Vão mudando as cores, mas é só. Os trafulhas continuam a pavonear-se pelo Tamariz, outros por Paris, outros por Maiorca e continuam a delapidar o erário público com os mesmos exageros que apontavam aos antecessores. Continuam a gozar de uma impunidade radicada e estabelecida em relação a algo que sempre prezei muito durante toda a minha vida : RESPONSABILIDADE.

Não prevejo melhoras. O balão de oxigénio foi retirado, mas apenas para refill . Há-de voltar. Virá  cheio? Espero sinceramente que seja suficiente para todos, porque esta terra queimada de tantas políticas , já não  consegue produzir mais táticas.