segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Rage against the machine


É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve.

Victor Hugo




Nunca gostei de touradas. Nunca consegui perceber a exultação de ferir um animal para gáudio de milhares que urram à vista do sangue a jorrar de muitas bandarilhas e olés . Sol e sombra, dia e noite, inteligente ou estúpido, é primitivo, selvagem e indigno.


Um animal assustado e ferido de morte, avança às cegas e leva consigo, imparável , tudo o que se interpuser no caminho desvairado que inevitavelmente o arrastará até onde o fim do sofrimento e o seu próprio fim serão um só.

A raça dominante, já pouco domina. 
Como um animal ferido, a Natureza reage em desespero e arrasa, queima, afoga , esmaga, extermina...
É verdade que sempre existiram chuvas torrenciais, avalanches, fogos, inundações, aluimentos de terras, furacões, ciclones, terramotos, tsunamis... não tenho ideia de tanto desastre natural junto em tão pouco tempo.

Os homens verborreiam, atacam-se, discutem... política, terror, guerra. Até matam e morrem por preferências clubisticas que seguramente levantarão enormes questões existenciais...

Nada disto importa realmente se não tivermos verdadeiramente algo precioso sobre o que discutir, decidir e agir , e que é o pedaço de chão que a Natureza nos emprestou para usarmos na nossa passagem por cá, e que seguramente cada um de nós gostaria que a posteridade pudesse usufruir daquela mancheia de terra , de todos os pedaços , onde deixámos impressa a nossa pegada.

6 comentários:

  1. A reacção da Natureza tem sido de uma violência verdadeiramente assustadora.
    Como o senti bem recentemente aqui em Macau.

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    1. O maior cego é aquele que não quer ver.
      O mundo está a mudar a uma velocidade assustadora.
      Macau foi mais um exemplo da violência da natureza.
      Abraço

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  2. Minha amiga: penso exatamente assim. Causa-me horror a carnificina entre os humanos, mas pode haver regeneração. Contudo, não há retoma possível do equilíbrio quando se destrói o equilíbrio da terra.
    Mais um excelente escrito.
    Bjinho

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    1. Nem sei Odete, se o equilíbrio não terá que passar pela erradicação do vírus.
      E o vírus somos nós.
      E é isso que me apavora.

      beijinho

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  3. Os Homens são cruéis com os outros homens, com os animais e não respeitam a Natureza. Mas a Natureza vem muitas vezes dizer-nos que o que contra ela fazemos se vira contra nós...
    Um texto de excelente reflexão.
    Beijos.

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    1. Querida Graça, assusta-me saber que quem manda no universo não somos nós e que o universo tende sempre renascer das cinzas.
      Sinceramente, assusta-me pensar que serão as nossas.
      Beijinho

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É aqui que me mandas dar uma curva